Começa o dia, passo a mão pelo meu cão imaginário, imagino que ele
responde, que seria algo fora de serie, tomo um café, ou dois, um cigarro, ou
dois, nunca me apetece falar de manhã, muito raramente à tarde, deixo as
palavras todas para a noite. Vou de carro até um outro transporte qualquer,
sendo que moro no meio do nada, e não me importo mesmo nada.
Não gosto de andar de carro com praticamente ninguém, à excepção, de uma ou duas pessoas, não se trata de
nenhum recalcamento da minha parte, até porque todos os acidentes em que me
envolvi, fui eu que os provoquei, simplesmente porque devo, quase de certeza,
ter um défice de concentração.
Chego ao trabalho, nada me interessa, nenhuma conversa interessa,
não tenho amigos de trabalho, nunca tive, nunca os fiz, e raramente os faço
fora do trabalho, as conversas são más, baseadas essencialmente na vida alheia,
ou no falar mal gratuito, eu falo muito mal, não sobre ninguém mas porque sou
mesmo muito mal-educada, até para evitar que falem mal comigo sobre o falar mal
geral.
O dia passa rápido não fede nem cheira…assim que chego a casa, vou ao jardim passear o cigarro e finjo que tenho um cão. (Observação: Não tenho
animais, não porque não goste deles, simplesmente não tenho responsabilidade
para isso). Janto na varanda para olhar para o jardim, está bem cuidadinho
o jardim, tem umas árvores com uns “amarelos” que são tóxicos, para os
alérgicos, mas que são lindas de se ver, está na minha lista de coisas para
fazer pinta-las com umas aguarelas espetaculosas que o dinheiro tornou possível,
uma, senão a única vantagem de trabalhar.
Vejo a minha novela, que ultimamente tem sido o E.R, até porque
não gosto de novelas, e vejo as noticias, com muitos canais á escolha, gosto da
RTP1, é a que vejo sempre. Fumo mais dois ou três cigarros, altura em que o meu
marido já está a morrer de sono, eu ainda me aguentava mais algumas horas mas
como sou solidária, vou dormir cedo, para me erguer cedo novamente. Aah, quando
estou carregada de dinheiro, ou seja, os primeiros três dias do mês vou comer pipocas
ao centro comercial.
Como podem atestar a minha vida é frugal, assim como eu.
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