sábado, 18 de outubro de 2014

Pedro Marta Santos Cinema mudo Temos um primeiro-ministro convencido de que quanto menos falar sobre o passado, melhor. Temos um candidato a primeiro-ministro convencido de que quanto menos falar sobre o futuro, melhor. Temos partidos das franjas (PDR, Bloco, Livre) convencidos de que quanto mais falarem sobre tudo, melhor – poucos os ouvem, é um ruído surdo. A campanha eleitoral para as legislativas de 2015, inaugurada há menos de duas semanas com a vitória de António Costa nas primárias do PS e florida pelo inconsequente roncar de Marinho e Pinto ou o benevolente roncear do Livre, é um filme de Stroheim mutilado na montagem e subsumido no silêncio. Precisamos com moderado desespero (é a natureza lusitana) que Costa diga ao que vem quanto ao tratado orçamental, à dívida pública, à estratégia de crescimento e às medidas de redução do desemprego. Mas Costa nada dirá – “É a Europa, estúpido”, responde-nos. Precisamos com vago rigor (é a natureza portuguesa) que Passos Coelho diga ao que veio quanto à Tecnoforma, à ONG CPPC, aos cheques de reembolso e aos 84 mil euros brutos/ano que o transformam numa pessoa ofensivamente remediada. Mas Passos Coelho nada dirá – “É a política, estúpido”, responde-nos. Se eu e você não fizermos um barulho ensurdecedor, os próximos 365 dias serão um filme mudo.

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